
Na despedida da aldeia de Fráguas, ainda tivemos tempo para gravar os sons de um pequeno rebanho de cabras que passava na rua principal enquanto o seu proprietário lhes assobiava e batia com o cajado na calçada de granito.
Gravado por Tiago Mota no dia 20 de Maio 2010 às 16h35 com um gravador Edirol R-44 e um microfone parabólico Tellinga PRO 7.
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Quando o primeiro dos grupos de trabalho de campo termina a sua missão, decidimos juntar a vontade dos jovens em mergulhar no rio com a nossa intenção de gravar uma tipologia de sons comum do rio Paiva no Verão: os mergulhos acompanhados de gritos e risos de jovens, no qual se misturam a inocência de uma infância acabada de deixar com a descoberta juvenil do corpo e do outro.
Gravado por Bianca Tavares no dia 20 de Maio 2010 às 16h13 com um gravador Edirol R-44 e um microfone parabólico Tellinga PRO 7.
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Já na extremidade dos campos de Fráguas, aproximamo-nos do Ti António enquanto este colhe feno no seu campo. Na sua voz marcada pelos anos ele pergunta à jovem que o grava se “isso depois vai passar na televisão?” e perante um acenar negativo, responde com um sincero e resignado “Ora porra!”.
Gravado por Vanessa Martins no dia 20 de Maio 2010 às 15h41 com um gravador Edirol R-44 e um microfone parabólico Tellinga PRO 7.
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Chegados aos campos da aldeia de Fráguas, encontramos um grupo de habitantes que vira a água dos canais de rega para os seus campos, enquanto, ao longe, um ancião colhe feno. Na conversa gravada uma habitante pergunta onde se encontra outra, gritando entre os respectivos terrenos.
Gravado por Tatiana Magalhães no dia 20 de Maio 2010 às 15h30 com um gravador Edirol R-44 e um microfone parabólico Tellinga PRO 7.
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Descendo sempre em direcção aos campos da aldeia, seguindo o curso do rego de água, encontramos um lavadouro comunitário quase encravado no granito, cuja saída de água foi registada, também aqui com o som da música em fundo.
Gravado por Cidália Ferreira no dia 20 de Maio 2010 às 15h22 com um gravador Edirol R-44 e um microfone parabólico Tellinga PRO 7.
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Depois de sabermos um pouco mais sobre o sistema de rega da aldeia de Fráguas, fomos em busca de diferentes sons do mesmo. Um pouco mais adiante, junto à estrada principal gravámos o som da água no rego, antes deste se lançar abaixo nos campos da aldeia. O que seria em princípio um simples registo de água, revelou sensivelmente a meio da gravação o sentido do espaço circundante, com a passagem de uma moto-quatro na estrada e com o som distante de música provinda de uma carrinha que vendia fruta.
Gravado por Celine Direito no dia 20 de Maio 2010 às 15h14 com um gravador Edirol R-44 e um microfone parabólico Tellinga PRO 7.
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Ao passarmos pelas ruas da aldeia de Fráguas, acabámos por escutar a conversa que o Prof. João Lima estava a ter com um grupo de habitantes àcerca de vários temas locais. A descrição do sistema de rega dos campos e das regras de “virar” a água evidenciou a importância ancestral do rio Paiva para as populações ribeirinhas destas aldeias de planalto.
Gravado por Ilídio Ferreira no dia 20 de Maio 2010 às 15h07 com um gravador Edirol R-44 e um microfone parabólico Tellinga PRO 7.
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Um clássico do projecto Aldeias Sonoras é sempre a gravação do toque do sino das aldeias por onde passamos. Digamos que há igrejas e toques de sino mais impressionantes do que outros. No caso de Fráguas, a beleza granítica e ancestral da igreja local não merece certamente o banal toque do respectivo sino, uma gravação de péssima qualidade, o que nos faz pensar que nestas igrejas onde não existem sinos mecânicos, um exercício de ecologia sonora seria promover a substituição das gravações dos toques horários por outras de melhor qualidade.
Gravado por Mariana Sousa no dia 20 de Maio 2010 às 14h59 com um gravador Edirol R-44 e um microfone parabólico Tellinga PRO 7.
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Um segundo exercício de gravação sonora com hidrofones, desta vez num canal de água em granito que desce da estrada até ao pisão no rio Paiva. Apesar do potente fluxo de água deste canal, os hidrofones ao estarem submersos captam variações de fluxo mais suaves.
Gravado por Ilídio Ferreira no dia 19 de Maio 2010 às 15h54 com um gravador Edirol R-44 e dois hidrofones Aquarian H2a.
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Eis-nos chegados ao dia em que Aldeias Sonoras chega ao concelho de Vila Nova de Paiva, mais precisamente à bela aldeia de Fráguas, para dois dias de gravações com alunos do Agrupamento de Escolas Aquilino Ribeiro, acompanhados por três professores. Depois de termos efectuado uma introdução ao projecto e aos equipamentos de gravação, a atenção dos alunos concentra-se nos “estranhos” microfones que se submergem na água, os hidrofones. Estando o grupo numa das mais belas aldeias ribeirinhas ao rio Paiva, em que a água assume diferentes formas e tipos de fluxo, efectuámos duas gravações tentativas, a primeira das quais na levada junto ao pisão, a estrutura arquitectónica usada antigamente para pisar os tecidos, dando-lhes mais consistência.
Gravado por Silvina Mendes no dia 19 de Maio 2010 às 15h42 com um gravador Edirol R-44 e dois hidrofones Aquarian H2a.
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Depois de termos conhecido Carapito com detalhe, caminhando lentamente por entre as suas ruas e vielas, chegamos à zona alta da aldeia, onde eiras, espigueiros e palheiros dominam. Aqui encontrámos um grupo de habitantes, homens e mulheres, encostados a uma parede enquanto apanham o último sol de um dia frio de fim de inverno e vêm passar ovelhas e um carro de mato carregado por um burro. Quisemos saber a opinião deste grupo de pessoas sobre o rio Paiva, o que dele sabem, onde nasce, etc. Quando esperávamos unanimidade, eis que a confusão se instala: cada um tinha a sua opinião e quem deveria saber com certeza estava ausente ou com capacidades mentais já limitadas.
Gravado por Luís Costa no dia 10 de Março 2010 às 17h08 com um gravador Fostex FR-2LE e um microfone parabólico Tellinga PRO 7.
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Entrando finalmente na aldeia de Carapito, onde pudémos constatar a força do granito em quase todas as casas, muitas delas fechadas, um habitante um pouco excêntrico, o Sr. Manuel da Rosa de 74 anos, rodeado de ferro-velho e de engenhocas que o mesmo adapta e reconstrói, explica-nos de forma muito clara onde nasce o rio Paiva, quais são os outros cursos de água na zona, onde é que o rio se torna propriamente rio, etc.
Gravado por Luís Costa no dia 10 de Março 2010 às 15h41 com um gravador Fostex FR-2LE e um microfone parabólico Tellinga PRO 7.
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Chegados ao casario da aldeia de Carapito, deparámo-nos com uma anciã curvada pelos anos, a qual, sem que perguntemos o que quer que seja, nos interpela sobre o número elevado de homens que tem morrido na aldeia e sobre o padre da aldeia e a sua proveniência.
Gravado por Luís Costa no dia 10 de Março 2010 às 15h12 com um gravador Fostex FR-2LE e um microfone parabólico Tellinga PRO 7.
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Já perto da aldeia de Carapito, a ressonância de um poço de água subterrâneo chama à atenção. Particularmente interessante a forma como os sons do exterior, por exemplo de um carro que passa na estrada, são transformados.
Gravado por Luís Costa no dia 10 de Março 2010 às 12h56 com um gravador Fostex FR-2LE e um microfone parabólico Tellinga PRO 7.
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Um fio de água num charco, junto a uma das estradas que dão acesso à aldeia de Carapito, no caso uma estrada municipal que liga à serra da Lapa, concelho de Sernacelhe.
Gravado por Luís Costa no dia 10 de Março 2010 às 12h33 com um gravador Fostex FR-2LE e um microfone parabólico Tellinga PRO 7.
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A água das fontes e ribeiros da aldeia de Carapito é naturalmente usada para regar os campos, aliás a grande maioria situados na zona onde nasce o rio Paiva. À saída de um canal de água que passa sob a estrada escutámos um borbulhar curioso, manifestação evidente da multiplicidade morfológica e acústica do sistema hidrográfico da aldeia.
Gravado por Luís Costa no dia 10 de Março 2010 às 12h24 com um gravador Fostex FR-2LE e um microfone parabólico Tellinga PRO 7.
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Sobreposição sonora no meio do emaranhando de fontes e ribeiros existente na aldeia de Carapito, cujos fluxos de água são particularmente potentes nesta altura de chuvas. Contraste interessante entre o gotejar discreto de um charco e a potência de uma levada de água.
Gravado por Luís Costa no dia 10 de Março 2010 às 11h40 com um gravador Fostex FR-2LE e um microfone parabólico Tellinga PRO 7.
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Numa manhã fria de Março de 2010 iniciamos uma longa caminhada sonora ao longo do rio Paiva e fazêmo-lo na aldeia onde o mesmo rio nasce: Carapito, Freguesia de Pera Velha, Concelho de Moimenta da Beira, Distrito de Viseu. Não é fácil perceber o local preciso da nascente, dada a profusão de pequenos cursos de água existente em frente da aldeia. Optamos por registar um deles, outros se seguirão.
Gravado por Luís Costa no dia 10 de Março 2010 às 11h14 com um gravador Fostex FR-2LE e um microfone parabólico Tellinga PRO 7.
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“Sinais”, o magnífico apontamento matinal de Fernando Alves na TSF foi dedicado ao projecto “Aldeias Sonoras” na sua emissão do dia 26 de Janeiro de 2010. A partir da informação incluída no site do projecto, o jornalista construiu um belíssimo texto que captou na perfeição a essência destas buscas sonoras rurais por um Portugal profundo, autêntico e desconhecido da maioria.
Áudio do programa “Sinais” de dia 26 de Janeiro de 2010:

O jornalista Carlos Pinto Coelho entrevistou no seu programa de rádio “Agora Acontece” um do responsáveis da Binaural, o director artístico Rui Costa, tendo a conversa sido totalmente dedicada ao projecto “Aldeias Sonoras”, entrecruzada com alguns dos sons captados nas aldeias. Esta emissão do programa Agora Acontece foi transmitida entre 18 e 24 de Janeiro 2010 por 90 rádios de Portugal e da Extremadura Espanhola.
Áudio da entrevista completa: